O medo da solidão, a solidão de fato.
O corpo dilacerado pelo desejo de outro, outra coisa que me mova
outro sentimento, que possa se traduzir sem nenhum intermédio tecnológico.
“O amor não serve para nos faazer felizes,
mas para nos sentirmos vivos”
Círculo vicioso que nos prende à um centro concêntrico,
quero libertar-me desta atração
buscar outro lugar no mundo para mim.
“quero ter medo e estar segura”
mas não estamos, e o impulso dicepado
vai se tornando tempo passado, num agora mutilado.
Poder da amizade com aqueles que nunca falham
quero ser abraçada pela convicção de uma semente em se tornar fruto.
Vida em extremo desequilíbrio,
na corda bamba me agarro
no eixão me desgarro, de qualquer humanidade.
“Gosto de alguém no início”
e depois sigo sendo como todos os outros que perguntam “é você?”
e nunca sei a resposta, quando sinto afeto não sei se é você
do lado de fora ou dentro de mim.
Quero embriagar os sentidos até me sentir tranquila e adormecer
quero ser um ninguém alegre que seja todos/as ao mesmo tempo.
Abraçar o redemoinho do tempo e girar com ele,
amar alguém ou alguma coisa que não seja com o pior que há em mim,
ou odiar, com o melhor que há.
Um coração destruído pela felicidade
e a repetição do ato que a persegue
sem perceber que um contento jamais o será duas vezes,
o que me satifez ontem, será talvez,
sempre o que me fará chorar hoje.
Caminho, caminho e não encontro, e ainda sim algo mais fica pelo caminho,
o vento no rosto é o melhor que sei sentir,
mas sempre que haja alguém do lado para sentir comigo
e para fazer ventar os outros lados da cara,
sem isso é só mormaço
sem isso é só reorganização do que há por dentro
sem nada de fato mudar.
Aí amanhã… aí. Haverá uma pedra para me desviar o caminho?
o agora eu já sei, e a reprodução dele é o reto da morte,
“progredimos e regredimos, para frente e para trás”
disritmia, dum lado e doutro
o que se repete é apenas, a falta de sentido.