desatado

Toda a história se encontra e se redescobre no agora.
Se encanta, significa, veste sua roupa mais bonita, para então despir-se.

De repente tenho a chance de sentir-me plena.
É como abrir o guarda-roupa entulhado de peças velhas e sem uso, cheia de imaginação.

O novo já não de faz necessário, apenas a inspiração para reinventar o que já esta lá.
Descobrir como se fosse a primeira vez, aquele sapato guardado e jamais usado.

É como perder a conexão e ter ao seu redor o suficiente para entreter-se,
sem precisar de nada que lhe seja estranho, exterior, alheio.

A metáfora para o incompleto não esta na roupa já gasta, em que faltam pedaços.
Mas naquela que por algum motivo chegou lá e se deteve,
sem jamais encontrar seu par ou sua ocasião.

E não porque não tenham havido pares ou ocasiões,
mas porque não se ousou o bastante para usá-las,
mesmo quando pareciam despropositadas.

Não abusei ser feliz quando algo ainda me faltava.
Não me deixei sorrir quando algo me incomodava.
Foi assim que amarguei tudo o que não me completava.

Da noite pro dia, um sorriso pueril porém profundo, passou a me rondar.
Me fez esquecer das vestes, das mágoas, da timidez que me trava.
Provocou em mim o mais sutil dos encantos, a graça, quando nada mais me restava.

Ligeiro e sorrateiro como um frio na barriga,
errante e certeiro, como uma risada bem dada.

Isso que me inspira também me faz falta.
Que nem ter saudade daquilo que não foi.
Ou ainda, antecipar o que não vem.

Ausência que destrói o vazio e recria o excesso,
de mim mesma sem você.

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