Na diluição dos dias, das horas, das lágrimas alheias e do álcool (que à tudo cura), vejo a vida e as certezas se esvaírem. Tudo se dissolve num misto de êxtase e incerteza, numa potência contida de amor, numa vontade que se não realiza, perpetua enquanto poesia.
Passa, passa-tempo. Mas não passe muito, para que ainda haja oportunidade de alcançá-lo, que ainda possa lhe fazer companhia nas horas vadias que me rondam, sempre em forma de lugares que não estive.
Talvez quanto mais longe eu fôr, mais me escape os sentidos, inclusive o de estar sozinha. Ainda que no estranho eu encontre a saudade do mesmo. Esse mesmo vago, lento, quase repetição; redescobre sua força nos dias que correm certeiros, de quem sabe onde quer chegar mas não usufruí dos caminhos.
É nesses dias que a imagem de um domingo retomam a lembrança, independente do dia da semana, com todo seu encanto. É nesse mesmo momento que os estágios da vida deixam de contar, e não há idade que possa contar nada sobre mim.
A falta ou excesso dos fatos não mais medem a quantidade ou qualidade vivida, passam a ser, quando não são, falta de imaginação. Bem como se tornam exceção quando a vida transpõe, já não comportando a sinergia que cria as formas concretas deste mundo.
Azar dos fatos: é a conclusão. Ou pena, que não possam se revestir de tantos adornos como os da intuição. Ainda que extravasem inconstância contidas, bem como constâncias excedidas: podem ainda se imbricarem num contexto torpe, onde quase não há nenhuma razão, mas que um pouco de emoção ainda permite agradecer uma manhã serena – ainda que ligeiramente embriagada -, onde os sentidos e os sonhos se refazem no devir de um novo dia.