Delicado como folha de árvore seca
sutil como folhinha arrancada do calendário
presente como o Pau-Santo ou o Lôbo.
O que te impede de soar
impetuoso e certeiro como o vento
o que te tinge ou tolhe o olhar
como fruta madura derrubada ao chão
antes de que seja docê.
Te amei como o mais puro extrato
sem que fosse fervido ou subtraído de seu íntimo.
Me azeitei de seu mel e de seu vinho
e nele carrego todo o ardôr com que me vê passar.
Você ressente, tem medo, e eu também
e não tá nisso o que você ou eu
pode perder ou ganhar.
Tá no cheiro, no toque,
no que transpõe ou não cada instante.
Não quero nem esta em ti
a substância do momento,
não quero de ti nem o sumo do amor
ou o substrato do lamento.
Quero a beleza
com todo e qualquer complemento.
Queria não mais esconder
que a trouxa que carrego
é pesada como o sentimento.
Que se sentir esta entre a dádiva e a fraqueza
você terá de escolher entre qual deles
ṕousar sua incerteza.
Pois continuarei sendo o mel e o céu
de qualquer combinação química
que te faça rir ou chorar.
Serei sempre apenas
aquela de pijama que diz boa-noite
na porta do quarto.
Que sabe o que diz
mesmo quando finge o estranhamento.
Que ama e acaricía
quando parece simplesmente dormir.
Que sorri, lamenta e tenta
quando ninguém esta ali.
Quer, deseja e almeja
o que você disfarça mas eu não esqueci.
É que chega a hora
que entre o agora e a demora
resta o impulso de dizer:
Estou aqui! Ou… Vou ali.