penumbra

Gostaria de saber descrever as aflições que me tomam durante a penumbra entre o despertar e o sono. É algo para o qual me falta não somente as palavras adequadas, mas o próprio entendimento. A fricção entre o consciente e o subconsciente parece faiscar sensações difíceis de trazer à tona, e é aí que pareço perambular e quase me perder entre uma autoconsciência ideal de si mesma e um não-eu absoluto.

O susto é a perspectiva constante que permeia estes instantes de delírios, quase lúcidos. Quando termino de atravessar essa fronteira tênue, ressurjo dentro do meu próprio corpo, um pouco machucada e bastante assustada. Não sei se pela impossibilidade da memória ou se por uma espécie de revelação que me ocorra nestes percursos (uma revelação que estaria constantemente me alertando dos equívocos e insuficiências?).

Essa espécie de “anúncio” parece desencadear – na mente já desperta – o desespero. Como se, de novo enquadrada na matéria, tivesse o trabalhado redobrado de transformar quem eu sou, vindo a ser eu mesma (enquanto devir e jamais como fato).

Isso que se é conscientemente, diferentemente daquilo que se experimenta enquanto pratica do existir, revela a busca constante da ação por identidade. Como se a primeira fosse constantemente pretexto para ser (ou sentir-se) alguma coisa. É mais ou menos como não dizer: “Eu escrevo”, mas “sou escritora”.

Transubstanciar-se na própria ação e não mais em sujeito dela, deve guardar consigo um grande enigma.

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