Então, sobrou. Sabe aquilo que “sobra” do que a gente pretendia? Que fica ali na nossa casa, na nossa cama, no sonho, um “pelinho” no prato do café da manhã? Então. Cê sobrou no tempo que lhe correspondia na minha vida, ficou os resquícios. Acabou e é como se tivesse de voltar.
O que fazer disso? É até fácil, sabe? Dizem que é fácil, que tudo o tempo cura. É só seguir que as coisas se ajeitam… Mas e o que ficar pra trás? Isso que deixar pra trás, como é que fica?
Certa vez assisti um filme em que um homem arrependido de toda sua vida tentava recomeçá-la, e quando se deparava com o outro/a, aquele/a, essencial a nós mesmos/as, também já haviam deixado e sufocado tudo aquilo que fica sem se terminar; ele não pôde, não teve como voltar. Voltou e não se reconheceu, nos outros que já não eram os mesmos. Dele mesmo que já não era o outro, que deixará pra trás.
Aí amigo, tú já era. Uma vez na estação esperando, pega o próximo bonde e vai. O descompasso do tempo não nos permite esperar. Mas se é que cê chega, daqui a pouco, espero. Daqui a pouco cê tá aqui e nem imagino que tanto vou sorrir, depois de mais tempo ainda talvez me torne séria e depois chore, eu fujo, caio fora, num espero nada.
Saio fino, ligeira, escapo de qualquer apreensão. Me viro porque sou uma mulher, criada por outra mulher que me quis bem, então não há mau que possa me deter. Aí mano, tú pode me fazer feliz mas só um pouquinho, só na medida que for apoio pros sonhos que já tenho, me comprometo com o teus sonhos e da mistura dos dois vamos se satisfazendo em uma vontade redobrada de ser, porque um/a só, nunca é suficiente mesmo.