a caminho do infinito

Tenho andado pela estrada da vida,
(talvez corrido, talvez parado)
de faróis apagados.

Continuo indo,
como numa tempestade que toma conta
no meio da viagem.

Apesar da pouca visão,
não há como fugir dela.

Preciso ir!
A tempestade passa,
o dia acaba,
os faróis queimados,
estrada deserta.

Não há nada que se possa fazer
se não, ir.

Na noite,
alguns lampejos de luz alheia,
vez ou outra
ainda ajudam a me orientar.

No sentido contrário da pista,
ainda que visíveis pelo brilho,
não fazem mais que passar por mim.

Na sua passagem,
me dão alguns minutos de clareza,
ainda que não seja suficiente,
para curar-me da cegueira.

Sem luz alguma,
a noite parece não ter mais fim,
se torna do tamanho da estrada.

Outro dia, outra hora,
outra noite, não sei bem quando,
alguém passou por mim.

Não sei a quanto tempo estava ali,
(acho que usava faroletes)
só o percebi quando
colocou-se ao meu lado.

Na estrada vazia,
esse outro seguia.
Na mesma direção que eu
na contramão da pista.

Me surpreendi
quando vi a luz acender
ao meu lado.

Por ali esteve por um certo tempo,
não fazia barulho, não metia medo,
não causava nenhum outro sentimento
que não apenas, o confiar na estrada.

Em algum momento, partiu.
Acho que a sua luz ainda brilhou por algum tempo
pois quando me dei conta,
já não havia vestígio por nenhum lado.

Depois disso,
muitos outros ainda passaram,
muitas vezes acreditei
que este havia dado a volta ao mundo
e tornado a me encontrar.

Mas não,
os que vieram na outra mão
me iluminaram a estrada.
Os que vinham na mesma direção,
forneciam alguma luz interior (e ao redor)
e logo ultrapassavam.

[continuo na estrada,
conhecendo de outras fontes irradiantes]

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