bloco de notas

É que de tão latente,
parece esgotar as palavras,
elas escorrem num suspiro,
num sorriso, num barulhinho que passa.

Faltam palavras
quando ainda resta esperança
Elas só sobram
quando já não há nada mais além delas
que seja capaz de aliviar o que se sente.

Enquanto há,
a gente torce, faz por onde
Fica em dúvida
por onde começar
qual a toada,
quando vem o ponto.

Depois que acaba,
mil parágrafos a justificar o que não foi
Enquanto dura,
apenas um cursor tentando
prever o que virá.

Quando estanca
a gente passa horas diante dele
como se emitisse algum pulso
que pudesse nos revelar algo.

É que o em branco
tem sempre duas chances:
o de ser preenchido
ou permanecer vazio.

Enquanto eu te amo na cama
o cursor pulsa sozinho sem nada dizer
Quando estou só, ele pulsa a dois
titubeando entre deixar-se ir ou conter.

Se alguém observasse o código que ele emite
jamais saberia se quando para
foi você que chegou aqui
ou eu que o deixei ir por aí.

Um tom, uma batida,
deixo soltar ao vento
tudo aquilo aqui dentro.
Boom! Se foi.

O texto termina sem saber
se virá ou já não há o que esperar.

 

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