Intestino

Gosto das coisas pelo avesso. Já me disseram até que pode uma certa dificuldade em amar e… ser amada. Na ocasião até concordei, mas no meu jeito avesso de ser, prefiro pensar por hora que seja pura teimosia ou travessura. É que para as coisas que não levo muito jeito, acabo zombando de mim mesma em silêncio, metendo os pés pelas mãos, me pondo nas piores situações (que é pra ver como me viro). Só de ser possível certas coisas, perdem parte da graça. Para o que é possível o acordo, se cumprido, não tarda que seja fardo. Nesse sentido, acabo procurando – sem perceber – o conflito. Gosto das entrelinhas explicitas ou não que geram desconforto. Se somos EGOístas, é aí que me exalto: se sou pura tensão dramática subjetiva e intimista, como posso querer a linearidade do que é tranquilo? Só posso me colocar em oposição como forma de enxergar no outro meu drama cotidiano e corriqueiro: provoco o mau-estar como uma maneira de me encontrar. É quando já não me sinto sozinha, mas isso é difícil de explicar. Alguns irão dizer que não me reconhecem nessas palavras, mas não é difícil entender porque. Sei que de tanto me colocar nesse movimento quase peristáltico, já não há como cessar, seria a própria morte. Assim que me rendo as turbulências do intestino grosso e delgado, que me leva à dores de barriga que é impossível evitar. Sou empurrada, de dentro pra fora, a me expressar. Ainda que só saia merda.

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