(2x seis, terça e três)

Um dia começa sem que haja força motora nenhuma que o mova, simplesmente o inevitável de cair no sono nos leva a um novo amanhecer, com limitada possibilidade de tardá-lo. Como a força peristáltica, que tenho gostado de analogizar. E com pouca intenção, ele titubeia entre continuidade e repetição, sem muito revelar. Mas de um momento pro outro, seja pela força da insistência ou pelo humor expontaneísta, estamos diante das horas por serem vividas. Se de alguma forma estão amarradas ao cotidiano, estão também intímas de si mesmas, abertas à resignificação depois de rearranjadas numa nova composição. É assim que quase com surpresa, olho pro meu dia já consumido e não temo pelos que virão, justamente por quase tudo nele ser leveza e também reinvenção. Os minutos frágeis e passageiros, se amotinam e exigem da gente que o façam valer, que os vejamos num conjunto mais amplo de horas e manhãs, tardes, noites e madrugadas: que se enrolam numa trama libertina de se amarem e rejeitarem ao bom grado de suas intenções. Desperto e tenho 2 horas para mim que não sei o que fazer delas, de repente vem a obrigação e oferta momentos de caos, superação, incerteza e realizações. Vem ainda a necessidade, a pausa, o alimento, a tranquilidade. Depois vem ainda o esforço, o treino, a disciplina, a determinação. A ligação, a conversa e a saudade. Vem o diálogo desinteressado mas amistoso, gentil e agradável. Vem a amizade com o compromisso, a companhia, a troca. Vem o convite companheiro e confortável. Vem ainda a dádiva, o presente e doação. Chego em casa, que é uma mistura de tudo isso com ainda mais sinceridade e reflexão. Tudo isso criancice e aprendizagem, um jeito de não sermos só nós mesmos, em meio a multidão – de gentes, tempos e lugares.

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